Luiz Franqueira 19.06.20
Passam a vida a elogiar o nosso povo mas, francamente, não me parece que mereça ser objecto de grandes elogios, pelo menos com a assiduidade que as politiquices cá da terra o fazem. O que eu tenho observado desde antes da epidemia é que os burgos querem é festas. Festas! Festas! Festas!
É evidente que as pessoas precisam de festas! Precisam sair daquelas misérias diárias a que todos estamos sujeitos. Fugir das grandes pressões do dia a dia. Às vezes porque não têm pão para dar aos filhos ou, pelo menos, os pães que eles, a seu ver, possam merecer. Por isso, muita dessa gente vai gastar os últimos cobres numa festa para tentar derrubar o stress que as afunda todos os dias.
Só que há festas e festas! Neste momento de pandemia as pessoas deviam pensar mais globalmente, não pensar apenas naquilo que as afecta. Todos sabemos que a euforia do desconfinamento pode levar-nos a maus resultados. Eu acho que as pessoas não se apercebem do mal que podem fazer aos outros e a elas próprias. Claro que isso leva-me a pensar que muita dessa gente pensa que as coisas ruins só acontecem aos outros e, se só acontece aos outros, que se lixe, vamos à festa!
Covid-19
Nós não somos um povo diferente dos outros. A bitola é a mesma, de resto, seja o que Deus quiser. Temos sido informados, penso eu, quanto baste, sobre as tais festas, em tempo de desconfinamento. Quando a Polícia aparece para colocar as coisas nos eixos, são tratados abaixo de cães, por aqueles que não gostam de cães, não gostam de polícias e não gostam de ninguém. E, por vezes, até mostram, por estupidez ou não, que nem sequer gostam deles.
Tenho reconhecido que não somos tão pacíficos como isso. Se fossemos fazer uma análise comparativa com outros países, daqueles que, nessa área, não interessam a ninguém, não me parece que saiamos daí bem classificados. Há crimes a mais para um país de 10 milhões de habitantes. Por isso eu ando sempre farto dos blás-blás de muita gente que elogia tudo quando lhe convém, mesmo que não seja verdade.
Agora o elogio vai para a UEFA porque tem interesse económico para Portugal ou pelo menos, propagandístico. Sim, é verdade! Reconheço isso, mas não compreendo tanta euforia. Tudo isso metido nos pratos da balança, que Deus nos ajude se correr mal. Aposto que essa gente cheia de entusiasmo, tapou os olhos com os dedos, perante os festejos da taça de Itália, só para não verem como podemos cair em contradições. O que eu tenho visto com fartura, isso sim, é uma política das selfs. Se o SARS-COV-2 nos forçar a uma recaída, vai ser bonito, vai.
Ontem, em Algés, vi um grupo de 12 pessoas, , cinco eram crianças, todos à molhada a atravessar uma rua e só duas levavam máscara. Basta que uma delas tenha tido o azar de apanhar o Covid-19, para poderem ser todos aviados. Pelos vistos ninguém liga. Deixem de brincar com este pequenino deslumbrado. Sejam gente séria pois só com seriedade conseguimos abate-lo.

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